quarta-feira, 23 de maio de 2012

BEM VINDOS!


Escrevi este texto, para a inauguração no nosso terreiro que aconteceu no dia 14 de maio de 2012, a pedido da minha mãe.
Ela pediu-me que “apresentasse” a Umbanda para as pessoas que estariam lá, pois apesar de a maioria dos presentes já conhecerem a Umbanda estariam presente pessoas que não a conheciam.
Usando como referência obras do Rubens Saraceni, foi este texto que apresentei aos presentes.

       " Religião é uma forma de comungarmos com Deus e extrairmos Dele energias que nos pacificam, que nos fortalecem e fazem brotar em nosso íntimo a paz, a fé, o amor, a confiança, a resignação, a misericórdia e a esperança.
Religião é onde aprendemos a cultivar as virtudes e a combater os vícios.
Religião é estar em paz com Deus, com seus semelhantes e consigo mesmo, e extrair dela a força necessária para conviver com as dificuldades e superá-las.
Religião é tudo isso e muito mais. E como mais uma via de reencontro com Ele, o nosso Divino Criador e Senhor Deus, temos a nossa Umbanda Sagrada, que para muitos de nós aqui já é conhecida, mas para outros é uma novidade, então vou apresenta-la a todos.
A Umbanda é uma religião espiritualista que ensina que a vida é eterna e que a nossa curta passagem aqui no plano material destina-se à evolução, ao aperfeiçoamento e à conscientização dos espíritos (nós).
A Umbanda é uma religião nova, com um século de existência. Uma data é o seu marco inicial: a manifestação do Senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas no médium Zélio Fernandino de Moraes o dia 15 de novembro de 1908.
A Umbanda prega a existência de um Deus único e tem nessa sua crença o seu maior fundamento religioso e, mesmo que reverencie as divindades, os espíritos da natureza e os espíritos ascencionados, não os dissocia d’Ele, o nosso Pai Maior e o nosso Divino Criador.
A Umbanda ensina-nos que somos um templo vivo e divino, o médium de Umbanda, ainda que muitos não o valorizem, é o ponto chave do ritual de Umbanda Sagrada no plano material.
A Umbanda cultua os Orixás. Orixá é um poder divino em si mesmo e realiza-se na vida dos seus cultuadores como uma energia viva e divina capaz de realizar ações abrangentes, modificadoras da vida do ser. Uma força e um poder colocados a nossa disposição.
Alguns preceitos básicos para o exercício do Ritual de Umbanda Sagrada: a retidão, a resignação, a humildade, a fé, o amor e a caridade, isso porque:
Umbanda é Fé.
Umbanda é Amor.
Umbanda é Conhecimento.
Umbanda é Justiça.
Umbanda é Lei.
Umbanda é Evolução.
Umbanda é Vida.
Médium significa o sacerdócio em si mesmo. Médium é o portador das qualidades, atributos e atribuições que lhes são conferidas pelos senhores da natureza: os Orixás! Médium é o veículo de comunicação entre os espíritos e os encarnados.
Médium é sinônimo de poder ativo.
Médium é sinônimo de curador.
Médium é sinônimo de conselheiro.
Médium é sinônimo de intermediador.
Médium é sinônimo de filho de fé.
Médium é sinônimo de sacerdote.
A Umbanda, enquanto religião nascente ainda não está livre d presença dos aproveitadores da boa-fé das pessoas, mas até desses o tempo se encarregará de afastá-los e devolvê-los as suas origens pré Umbanda.
A nós compete mantê-la em seu curso natural. É só uma questão de tempo para que a sociedade reconheça o imenso trabalho que ela realiza em benefício d povo brasileiro sem exigir nada em troca, pois não foi feita para pedir, exigir ou dominar. Deus a criou para doar, doar e doar!
A Umbanda doa consolo, conforto, esclarecimentos, fé e amor. E nós, os umbandistas, só queremos doar nossos dons naturais em favor de nossos semelhantes.

Bem vindos à nossa casa!

Que Deus os abençoe em nome da Umbanda!

Sarava meus irmãos em Oxalá!"

segunda-feira, 23 de abril de 2012

VOCÊ RECEBE...?


( Por Junior Pereira )

Olá meus irmãos e irmãs,
Ontem ao sair da faculdade, conversando com alguns colegas surgiu o assunto: religião!
E um perguntou ao outro sobre sua religião...
Um era espírita, outro católico... E quando chegou a minha vez, eu disse: sou Umbandista!
Aquele famoso silêncio surgiu naquele momento... É até engraçado comentar isso, pois para mim é algo tão natural....
Em seguida, o questionamento:
- Você recebe? Alguém me perguntou....
Parei alguns instantes, refleti sobre as palavras ditas naquele momento e respondi:
- Sim, eu recebo sim....
Recebo todos os dias a condição de fazer minhas escolhas, sabendo que se forem precipitadas, o único culpado por isso serei eu mesmo...
Recebo de Deus uma nova chance no dia seguinte, para tentar fazer o meu melhor...
Recebo de Deus a chance de estimular minha paciência, mesmo sabendo que por vezes irei falhar ao tentar dominá-la...
Recebo da vida aquilo que dou a ela todos os dias...
Recebo dos outros, aquilo que dou a eles a cada momento de minha vida...
Recebo da religião aquilo que ela pode me oferecer sempre: um amor incomparável... Mas só se meu coração estiver em paz...
Recebo de um guia espiritual a palavra certa, na hora certa e no momento certo! O problema é que nem sempre estou disposto a receber...
Recebo sempre flores se semeio essa “terra” divina que é a vida...
Recebo sempre tempestade se espalho incertezas e dúvidas no meu dia a dia...
Recebo sim! Um novo amanhã....
Recebo sim um novo por do Sol mesmo se o dia anterior tenha sido assombroso e triste...
mas a claridade sempre estará ali, disposta a me iluminar...
Recebo sorriso se dou um sorriso para a vida...
Recebo lágrimas se só vivo diante delas...
Recebo de Deus um oportunidade imensa de corrigir falhas e fazer da minha vida, algo precioso e divino...
Recebo chance atrás de chance... Mesmo errando tanto no meu dia a dia...
Recebo o poder da escolha: ou propago a maledicência ou a benevolência, novamente a escolha é minha...
Recebo a chance de sonhar...
Recebo a chance de concretizar um sonho, mesmo deixando de acreditar nele por algum momento da minha vida...
Recebo a chance de viver... E não ter a vergonha de ser feliz!
Recebo um abraço, mesmo as vezes não merecendo...
Recebo um carinho, mesmo as vezes não o procurando...
Recebo a chance de descobrir o que é felicidade...
E melhor, de fazer da minha felicidade algo simplesmente único que nem aqui conseguirei expressar-me....
Há, e recebo também a possibilidade de manifestar a natureza de Deus no meu corpo, mesmo ele sendo por vezes um instrumento que anda desafinado, com partículas poluídas por pensamentos inoportunos e negativos e contendo um coração que carrega dúvidas e incertezas... Mas sempre disposto a recomeçar...
E através disso, recebo as qualidades de Deus, na minha vida e a partir daí, faço as minhas escolhas, sempre!
Respondendo a sua pergunta minha irmã: Sim, eu recebo!
Por alguns instantes, o silêncio tomou conta novamente daquele momento e mais nada foi dito... Apenas refletido....
E depois eu fui embora, simplesmente esperando “ receber “ outra oportunidade dessas...
E você, também recebe?

Um forte abraço!

Junior Pereira


quinta-feira, 12 de abril de 2012

ALCANÇANDO A MATURIDADE


"Porque sou do tamanho do que vejo. E não do tamanho da minha altura..."
(Fernando Pessoa)

“Há tempos venho refletindo sobre o tema “maturidade” e tenho percebido uma certa resistência das pessoas quando falamos sobre isso.
Ouço diversas opiniões e acho interessante, pois percebo o quanto somos diferentes uns do outros e o quanto isso é importante para nossas vidas.
Podemos a todos os momentos aprender com isso, com pontos de vista diferentes e maneiras diversas de enxergar a vida....
Percebei que maturidade é algo ainda muito questionado entre nós, pois para termos isso em nossas vidas, não basta apenas “ anos de vida” mas sim como
vivemos esses “anos em nossas vidas”. Até mesmo depois de tempos de existência, ainda temos muito o que amadurecer, principalmente quando vivemos em épocas de inovação,
época de uma outra realidade onde aquilo que tínhamos como certo e verdadeiro em nossas vidas, poderá dar espaço a outro aprendizado,
sendo necessário “ esvaziar “ o velho para que o novo comece a fazer parte de nós.
Para isso é necessário mudar, e quando falamos em mudança temos medo do que possa vir acontecer.
Mas mudar significa muitas vezes sair de nossa condição ( muitas vezes cômoda ) para fazer e agir diferente, sendo necessário em alguns momentos abrir mão de algo
para conquistarmos coisas novas em nossas vidas.
Mudar é amadurecer, é em um determinado momento de nossas vidas, traçar um novo caminho onde a única certeza que temos naquele momento,
é a vontade de querer acertar novamente.
Amadurecer, é muitas vezes sofrer uma transformação e viver uma outra realidade, um outro momento.
E alcançar a maturidade é difícil, pois amadurecer é perceber a hora certa de aproveitar um momento, uma oportunidade,
tomando o cuidado de não deixar “ apodrecer ” o fruto de nossas vidas, aquele nosso sonho ou desejo simplesmente pela nossa falta de atenção de enxergar a hora certa de colher...
Alcançamos a maturidade, quando deixamos nossa vaidade de lado para fazermos o que tem q ser feito, não importante com o que os outros dirão a respeito,
pois as críticas sempre farão parte de nossas vidas.
Caberá a nós saber lidar com elas...
Alcançamos a maturidade, quando aprendemos que caridade não significa dar o que sobra, mas muitas vezes dividir o pouco que temos.
Ser caridoso não significa ser tolo, mas sim ter em seu coração o desejo de ajudar.
Nem sempre a ajuda que a vida pede é financeira, muitas vezes alguém precisa simplesmente ser ouvido, de um simples abraço...
E você, já abraçou alguém hoje?
Alcançamos a maturidade, quando percebemos que para ser feliz, basta querer ser....
Felicidade é algo que não está nas mãos dos outros, mas sim nas nossas.
Compartilhar nossa felicidade é possível, esperar que alguém nos faça feliz não, pois depende de nós para que isso aconteça.
Alcançamos a maturidade, quando aprendemos que “dar a outra face” não significa “ apanhar de novo”, mas sim dar uma nova chance a quem errou...
Lembrando que se hoje houve erros, devemos refletir pois amanhã poderá ser nós o autor desse erro...
Daí, com o mesmo “peso” que julgarmos, seremos julgados.....
Alcançamos a maturidade, quando percebemos que “perdoar” não significa apenas pronunciar: Eu te perdôo...
Perdoar é sentir nosso coração em paz quando nos deparamos com aquela pessoa que, supostamente errou contra nós...
Com o tempo, perceberemos que somos mais perdoados do que perdoamos....
E porque então, quando temos a oportunidade de perdoar alguém, não assim fazemos?
Puramente por orgulho nosso...?
Alcançamos a maturidade, quando deixamos de lado todo o orgulho que temos dentro de nós e vivemos a vida em sua totalidade.
Perceba algo agora:
Retire 03 situações de sua vida nesse momento:
Sua classe social, sua raça e suas roupas.
O que sobra...?
Mas o que diferenciará uma pessoa da outra nessa situação?
Agora, retire também o dom de falar e nossa inteligência, algo que Deus nos proporcionou...
O que resta...?
Até quando iremos fazer diferença uns dos outros, simplesmente por nossa condição de vida ou maneira de se vestir?
Ser ignorante não significa ser menos favorecido culturalmente, mas sim não ter olhos para enxergar a vida e perceber que se existem diferenças, são elas apenas momentâneas...
Alcançamos a maturidade, quando aprendemos que amar não significa dizer apenas “eu te amo”, mas sim aceitar as pessoas como elas são,
mesmo sabendo que elas poderão nos decepcionar lá na frente...
E decepção não significa somente que alguém “pecou” contra nós, mas que muitas vezes criamos “pessoas e situações” da qual queríamos que fosse da nossa maneira,
quando na verdade as coisas são como são e não devemos culpar os outros pelas nossas falhas...
Amar é bem diferente do que ser possessivo...
É muitas vezes abrir mão daquilo que acreditamos ser nosso, para seguir seu rumo, mesmo sendo ele diferente do nosso....
Alcançamos a maturidade quando pedimos a Deus algo, e deixamos ele agir...
Alcançamos a maturidade, quando aprendemos que, aquilo que sabemos ou temos como verdade em nossas vidas, pode ser pouco diante de tudo do que Deus criou,
e ainda cria....
A vida muitas vezes nos coloca diante da seguinte escolha:
Você quer ser feliz, ou somente ter razão?
Alcançamos a maturidade, quando percebemos que ainda temos muito o que amadurecer....”
Um forte abraço a todos!
Junior Pereira

terça-feira, 13 de março de 2012

MACUMBA


Olá irmãos!

Fiquei um tempo distante das atualizações do blog, mas voltei às postagens.
Pretendo escrever textos e artigos próprios, mas não tenho experiência portanto estou ainda um pouco insegura, mas como é uma atividade que quero desenvolver, vou aproveitar para exercitar por aqui.
Para começar a retomada de postagens, compartilharei com vocês um texto do nosso irmão Alexandre Cumino que li hoje pela manhã:

Macumba
Parece que a palavra macumba sempre incomoda os mais puritanos.
Durante muito tempo eu afirmei:
"Não sou macumbeiro sou umbandista, macumba é um instrumento de percussão".
Afinal a palavra macumba hoje tem uma carga pejorativa na boca e na mente de gente ignorante.
Mas eu não ignoro o que seja macumba, então porque esta palavra teria uma conotação pejorativa para mim?
Macumba é um instrumento sim, mas também foi o nome dado aos cultos afro-brasileiros no Rio de Janeiro, antes da Umbanda se tornar tão popular naquele estado. Tudo era chamado de macumba, sociólogos como Roger Bastide identificam a macumba como um culto.
Mas é certo que com o tempo a palavra, macumba, passou a determinar e identificar tudo o que era afro brasileiro ou afro indígena e correlatos. Passou a ser uma palavra genérica, muito mais usada pelos preconceituosos para identificar praticantes de: Candomblé, Umbanda, Omolocô, Tambor de Mina, Catimbó, Jurema, Encantaria, Terecô, Batuque e outros...
E a gente, os "macumbeiros", passa a vida dizendo:
"Não sou macumbeiro, sou isso ou aquilo, macumba é um instrumento de percussão (que a maioria nem sabe qual)".
E o pior entre nós sempre ficam as brincadeiras, em tom descontraído, ficamos nos chamando de macumbeiros para nos provocar e provocar risos, e ironizar a critica e o preconceito...
Pois bem, ja disse antes e repito:
Sou Umbandista e como umbandista, MUITO PRATICANTE, sou o que todo preconceituoso chama de macumbeiro.
Sou Umbandista e sou macumbeiro...
Eu sou ... UMBANDISTA e MACUMBEIRO...
Afirmar que faço macumba no lar em momento algum é falta de respeito com quem faz evangelho no lar... mas cada um na sua.
Para quem quer entender uma palavra basta, para quem não quer entender nenhuma palavra serve.
Bom dia aos macumbeiros...


quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

IRRADIAÇÃO DA GERAÇÃO


Olorum cria e gera em Si mesmo tudo o que existe e tem nesta Sua faculdade criativa e geradora uma de Suas qualidades, pela qual Sua gênese divina vai surgindo e concretizando-se, já como o meio e como os seres que nele vivem.
A qualidade genésica do Divino Criador e a Fonte de Vida e das coisas que dão sustentação a ela.
Olorum cria e gera em Si mesmo, e criou e gerou nessa Sua qualidade uma divindade criativa e geradora, que é essa Sua qualidade em si mesma.
Então surgiu Iemanjá, divindade unigênita gerada na qualidade criativa e geradora de Olorum, que a tornou em si mesma a Sua qualidade criativa e geradora.
Ela é unigênita e por isso gera tanto em si quanto de si.
Quando gera em si, dá origem à sua hierarquia de tronos da Criação e tronos da Geração, que são divindades que manifestam uma dessas duas naturezas de Iemanjá.
Quando gera de si, ela irradia essa sua dupla faculdade, e quem a absorve torna-se criativo e gerador no aspecto da vida a que se dedicar.
A lenda nos diz que Iemanjá é tida como a mãe de todos os Orixás, e ela está relativamente certa, já que se algo existe é porque foi gerado. E, então ela está na origem de todas as divindades.
Iemanjá, por ser em si a Geração, está na gênese de tudo como os próprios processos genéticos. E se a qualidade Oxum agrega, ou funde o espermatozóide e o óvulo, Iemanjá é o processo genético que inicia a multiplicação celular, ordenada por Ogum, comandada por Oxossi, direcionada por Yansã, equilibrada por Xangô, estabilizada por Obaluaiê e cristalizada num novo ser por Oxalá.
Viram como um Orixá não dispensa a atuação dos outros e como todos são fundamentais e indispensáveis a tudo o que existe?
Os tronos da Geração estão na gênese de tudo e de todos porque são uma das características de Iemanjá, que é em si mesma a Geração Divina.
Criatividade e Geração são os dois lados de uma mesma coisa: Gênese Divina!
E Iemanjá as manifesta em suas duas hierarquias de tronos: os da Criatividade e os da Geração.
Por ser a divindade da Criatividade e da Geração, Iemanjá está em todas as outras qualidades divinas, mas polariza com o Orixá Omulu e faz surgir a irradiação da Geração, que tem nele o recurso de paralisar todo processo criativo ou gerativo que se desvirtuar, se degenerar, se desequilibrar, se emocionar ou se negativar.
Deus tanto cria e gera quanto paralisa a criação que não mais atende aos Seus desígnios e paralisa a geração que não atende à Sua vontade. Essa Sua qualidade é um recurso para paralisar tudo e todos que estiverem criando ou gerando em sentido contrário (desvirtuado) ao que Ele estabeleceu como correto (virtuoso).
E aí surge Omolu, divindade unigênita gerada nessa qualidade de Olorum, que tornou em si mesmo esse seu recurso paralisador de toda a criação ou geração desvirtuada.
Omolu, divindade unigênita, gera tanto em si como de si.
Quando gera em si, faz surgir sua hierarquia de tronos cósmicos, ativos, negativos, secos, implacáveis e rigorosíssimos com toda criatividade e geração desvirtuada, desequilibrada, emocionada ou contrária aos sete sentidos da vida.
O Mistério Omolu transcende a tudo o que possamos imaginar e as lendas o limitaram a alguns de seus aspectos, na maioria negativos, tornando-o temido e evitado por muitos adoradores dos Orixá.
“A cada um segundo seu merecimento”, é o que diz a Lei. Já o Mistério Omolu aplica esse princípio em seu aspecto negativo e o define assim: “A cada um segundo seus atos. Se positivos, que sejam conduzidos à luz da vida, mas se negativos, que sejam arrastados para os sombrios domínios da morte dos sentidos e sentimentos desvirtuadores da vida”.
  • Iemanjá é a Mãe da Vida, pois gera vida em si mesma.
  • Omolu é o Guardião da Vida, pois paralisa todos que atentarem contra ela, e os pune com um rigor único.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

IRRADIAÇÃO DA EVOLUÇÃO


Olorum tudo cria e tudo gera.  Na Sua criação, está Sua estabilidade e nos seres está Sua mobilidade ou evolução incesante.
Estabilidade e evolução, eis a sexta irradiação divina que  esta em tudo e todos, porque é uma qualidade do Divino Criador.
Essa Sua qualidade, Sua estabilidade, proporciona o meio ideal para os seres viverem, e na  Sua mobilidade gera os recursos para os seres evoluírem.
Sem estabilidade, um ser não evolui, pois tem de tê-la em todos os aspectos de sua vida.
Então Olorum gera nessa Sua qualidade, uma divindade dual ou de dupla qualidade, tornado-a em si mesma essa Sua qualidade estabilizadora e evolutiva.
E surgiu Obaluaiê, Orixá dual por suas duas qualidades divinas, que rege a evolução dos seres.
Mas essa dupla qualidade está na própria gênese, pois sem estabilidade nada se sustenta e sem transmutação tudo fica paralisado.
Ele está no próprio Universo, pois é a estabilidade que sustenta cada corpo celeste no seu devido lugar, como é o movimento da mecânica celeste, que mantém todos os corpos em movimento continuo.
Por isso Obaluaiê é passivo na sua qualidade estabilizadora e ativo na sua qualidade mobilizadora.
Então vemos surgir o Trono da Evolução, que é em si mesmo essa qualidade Dual de Deus.
Por que ela é dual?
Porque ela tanto proporciona a estabilidade quanto o movimento, condições imprescindíveis à evolução da vida.
Obaluaiê, por ter sido gerado nessa qualidade dual e por sê-la em si mesmo, também a gera de si, fazendo surgir a hierarquia dos tronos da Evolução, como gera de si, irradiando sua qualidade a tudo e a todos, despertando em cada um essa vontade irresistível de seguir a diante, de alcançar um nível de vida superior, de chegar mais perto de Deus.
Então ele não é só o Orixá da cura, mas também do bem-estar, da busca de dias melhores, de melhores condições de vida, etc.
Obaluaiê é, também, um Orixá Curador. E a Linha das Almas ou Corrente dos Pretos Velhos é regida por ele, que podemos vislumbrar quando conversamos com espíritos dessa corrente; eles nos transmitem paz, confiança e esperança, e quando os deixamos, após consultá-los, temos a impressão de que tudo se transformou e nos sentimos bem
O modo peculiar que cada linha de Umbanda tem ao incorporar e ao se comunicar com os encarnados, tem a ver com a irradiação do Orixá que a rege, e não com a raça dos espíritos que se manifestam.
Tantas bobagens já foram escritas como sendo conhecimento acerca dos Orixás e das linhas de Umbanda, que o melhor  a fazer é decantar todo esse falso conhecimento e absorver o que temos transmitido via psicografia.
E quem melhor pra decantá-las, senão Nanã Buruquê?
Sim, se Obaluaiê é a estabilidade e movimento, Nanã Buruquê é maleabilidade e decantação, pois ela é um Orixá água-terra que polariza com ele, dando origem a irradiação da Evolução.
Nanã Buruquê é cósmica, dual e atua por atração magnética sobre os seres, cuja evolução está paralisada e o emocional está desequilibrado.
Então ela faz com que a evolução do ser seja retomada, decantando-o de todo o negativismo, afixando-o no seu “barro” e deixando-o pronto para a atuação de Obaluaiê, que o remodelará, o estabilizará e o colocara novamente em movimento ou em uma nova senda evolutiva.
O Divino Criador gerou Nanã Buruquê, e a tornou em si Sua qualidade dual, ativando-a contra todos os conceitos errôneos tirando deles suas “estabilidades” para, a seguir, decantá-los no lado da ignorância humana acerca das coisas divinas.
Nana Buruquê é unigênita, pois foi gerada nessa qualidade dual do Divino Criador que a tornou Sua qualidade, aquela que desfaz os excessos e decanta ou enterra os vícios.
Ela forma com Obaluaiê uma par natural e são os Orixás responsáveis pela evolução dos seres.
Nanã Buruquê é dual porque manifesta duas qualidades ao mesmo tempo. Uma vai dando maleabilidade, desfazendo o que está paralisado ou petrificado, outra vai decantando tudo e todos dos seus vícios, desequilíbrios ou negativismos.
Por essa sua qualidade, ela é a divindade ou o mistério de Deus que atua sobre o espírito que vai reencarnar, pois ela decanta todos os seus sentimentos, mágoas e conceitos, e o adormece para que Obaluaiê o reduza ao tamanho do feto no útero da mãe que o reconduzirá a luz da carne.
  •      Obaluaiê, Orixá que rege a evolução dos seres e é o Senhor das Passagens dos estágios e dos Planos da Vida.
  •     Nana Buruquê, Orixá que rege sobre a evolução, decanta os seres se seus vícios e desequilíbrios e os adormece, preparando-os para a reencarnação.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

IRRADIAÇÃO DA LEI


Olorum gera em Si mesmo uma qualidade Sua que é ordenadora de tudo e de todos, até mesmo de Sua geração divina.
Nessa Sua qualidade ordenadora, Ele gerou Ogum, que é em si mesmo essa qualidade divina de Olorum.
Ogum é sinônimo de Lei Maior, Ordenação Divina e retidão em todos os sentidos, porque é unigênita e gerado na qualidade ordenador, do Divino Criador.
Ele é a Ordenação Divina em si mesmo: ele ordena a Fé, o Amor, o Conhecimento, a Justiça, a Evolução e a Geração. Por isso está em todas as outras qualidades divinas.
Ogum, por ser unigênito e ser em si mesmo a ordenação divina, gera em si e de si.
Na sua geração em si, ele gera suas hierarquias. Na sua geração de si, ele gera sua qualidade à qual transmite aos seus filhos.
Sua qualidade ordena a evolução, e por isso ele é tido como o Senhor dos Caminhos (das vias evolutivas).
Seu outro aspecto divino é o de aplicador “religioso” da Lei Maior, e independe de nós para aplicá-la e atuar em nossa vida, pois basta sairmos do caminho reto para ser tolhidos pelas suas irradiações retas e cortantes.
Ogum é em si mesmo a qualidade ordenadora e a divindade aplicadora dos princípios da Lei Maior.
Ele é eólico e polariza com Egunitá. Orixá do Fogo e trono consumidor dos vícios e dos desequilíbrios.
Egunitá é uma divindade ígnea, consumidora dos seres desequilibrados.
Quando evocamos Ogum para atuar em nosso favor e nos defender das investidas dos seres desequilibrados, suas hierarquias policromáticas ativam seus pares opostos assentados nos pólos magnéticos negativos, ativos e cósmicos na Irradiação da Justiça Divina, cujos magnetismos são esgotadores dos desequilíbrios, das injustiças e do irracionalismo. 
Então temos na Umbanda Egunitá, Orixá cósmica consumidora dos vícios e dos desequilíbrios, purificadora dos meios ambientes religiosos (templos), das casas (moradas) e do íntimo dos seres (sentimentos).
Egunitá é Orixá ígnea, de magnetismo negativo, seu fogo é cósmico e consumidor, enquanto o de Xangô é universal e abrasador.
O fogo de Xangô aquece os seres e os torna calorosos, ajuizados e sensatos.
O fogo de Egunitá consome as energias dos seres apaixonados, emocionados, fanatizados ou desequilibrados, reduzindo a chama interior de cada um (sua energia ígnea) a níveis baixíssimos, apatizando-os, paralisando-os e anulando seus vícios emocionais e desequilíbrios mentais, sufocando-os.
Egunitá é em si, esse fogo cósmico que está em tudo o que existe, mas diluído. Para ela atuar em nossa vida, não depende de nós, mas tão somente que nos tornemos “irracionais”, apassionados e desequilibrados.

«  Ogum é a ordenação divina e a lei que rege a vida dos seres;
« Egunitá é a divindade cósmica da Justiça que polariza com Ogum e é em si mesma o aspecto punitivo da Lei Maior regida por ele.