segunda-feira, 24 de outubro de 2011

IRRADIAÇÃO DA FÉ


É formada por dois Orixás que se polarizam nos campos da religiosidade, Oxalá e Oyá são seus nomes, sendo Oxalá irradiante, positivo, passivo e atua por meio de seu magnetismo cujas ondas são retas, e vibra fé o tempo todo.
Oyá é cósmica, absorvente, negativa, temporal e sua irradiação magnética é alternada em duas espirais: uma intensifica a religiosidade e a outra e a outra a esgota. A irradiação que projeta é estimuladora da religiosidade. Já a que absorve é esgotadora dos desequilíbrios religiosos nos seres.
Estudando suas naturezas, podemos descrevê-los assim:
üOxalá é uma divindade passiva da Fé e é em si mesmo esse mistério divino, pois gera fé o tempo todo e a irradia de forma reta, alcançando tudo e todos. Sua natureza religiosa não deve ser dissociada de Deus, pois é esta qualidade d’Ele que o individualizou em seu Trono da Fé, para poder ser visualizado por todos os seres cuja fé é reta e a religiosidade é virtuosa.
üOyá é uma divindade ativa da Fé e é em si mesma esse mistério divino, pois gera religiosidade o tempo todo e a irradia ou a absorve conforme as necessidades. Se o ser está apático, ele a recebe, e se está emocionado, a tem esgotada.
A fé é uma qualidade de Deus, já a religiosidade é uma qualidade dos seres criados por Ele. Logo, Oxalá irradia essa qualidade divina denominada fé, e Oyá ativa ou paralisa a qualidade religiosa dos seres movidos pelos sentimentos de fé.
Observem que não são iguais no Mistério da Fé, porque ele a irradia de forma contínua e ela estimula ou paralisa esse sentimento nos seres. Por isso diferenciamos esses dois Tronos da Fé e os classificamos da seguinte maneira.
«Oxalá é um trono universal, pois suas irradiações retas e contínuas são projetadas a todos o tempo todo e durante todo o tempo;
« Oyá é um trono cósmico, pois suas irradiações espiraladas são alternadas e direcionadas, só alcançando os seres apatizados ou emocionados em seus sentimentos religiosos.
Na teogonia de Umbanda, Oxalá é identificado como Orixá irradiador da Fé e Oyá é interpretada como Orixá retificadora da religiosidade desvirtuada.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

MENSAGEM DE UMA POMBA GIRA


Autoria espiritual: Maria Padilha das 7 Encruzilhadas
Transcritor: Mãe Luzia Nascimento
Local: Centro Espiritualista Luz de Aruanda

“Por ser atributo do ser espiritual a mediunidade é faculdade que o acompanhará onde quer que este se encontre. O médium não só o é nos dias e instantes que antecedem o fenômeno durante as sessões de um terreiro – esta condição se faz presente vida a fora, dia a dia.
Muitos filhos se esquecem dessa particularidade e quando saem do terreiro não se lembram dos ensinamentos repassados pelas entidades.
Se um médium é dócil, gentil, educado, fraterno em suas atitudes não o deixará de ser após as sessões; da mesma forma que se a hostilidade lhe molda a personalidade em seu cotidiano, essa característica apresentar-se-á na sua conduta como médium, muito embora conte com toda amorosidade, disciplina e seriedade de sua Banda.
É comum vermos na lida diária a despreocupação dos médiuns em cultivar a serenidade, a paz interior e a gentileza natural.
E aí o que acontece?
Acontece que muitas entidades que lhe seguiam os passos após as sessões, precisando de seus exemplos no bem, a fim de entenderem o significado da palavra caridade de forma materializada, verão ruir por terra toda aquela aparência de bom moço e então na próxima sessãoo médium chegará ao terreiro não se sentindo bem e normalmente alegará que está com algum “encosto” a lhe perturbar e que precisa de ajuda da corrente, pois na última semana nada em sua vida deu certo.
Também pudera! Esqueceu que seu compromisso não é só no terreiro e se permitiu envolver com energias densas em ambientes não tão saudáveis a sua manutenção e bem-estar. E o que é pior: ainda fala que a culpa foi do seu Exu ou de sua Pomba Gira que não o protegeu! Como coisa que sejamos babás de plantão e não tenhamos serviços a executar.
Há ainda alguns que dizem: “mas eu faço tudo certinho tomo meus banhos, acendo minhas velas, firmo minha Banda e só vivo atrapalhado!”. Afirmamos que assim esse médium continuará até perceba que a Umbanda faz caridade e não milagres! Que a Umbanda mostra o roteiro, porém quem tem que trilhar são os filhos. Que nela não há facilitações muito embora não existam impossibilidades – desde que se queira melhorar – afinal de contas por que você médiuns estão na Terra, em um corpo físico? Já pararam para pensar nisso?
Não pensem vocês que estou querendo colocá-los numa postura de santidade. De forma alguma! Pois lugar de Santo é no Céu e lá a lotação já está pra lá de esgotada ou então em oratório.
Só estou querendo mostra que nada passa despercebido à lei do Todo Poderoso e que não adianta colocar máscara de bonzinho porque com o tempo essas se desfazem.
Não passem a culpa de seus mal-estares às entidades. Não coloquem vossas responsabilidades em nossos ombros e façam a vossa parte, porque a nossa já fazemos.
Ou vocês duvidam disso?
E então meu filho em qual Encruzilhada iremos nos encontrar? Em qual delas vou te buscar?
Sarava aos filhos dessa Banda!”


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

PODEMOS E DEVEMOS PREPARAR MELHORES MÉDIUNS



No entanto não temos como evitar que um médium que tenha estudado e até se dedicado faça alguma besteira, pois isto é do ser humano, mas ainda assim aquele que estuda tem menos chance de errar.
Outros ainda dizem que os cursos ou o conhecimento pode interferir durante os trabalhos mediúnicos, mas não pararam para pensar que quem se permite interferir com o conhecimento também se permitirá interferir com a ignorância, portanto o risco de interferir com novas informações é idêntico as interferências com velhas informações e distorcidas informações.
Nada justifica a ignorância com os fundamentos de sua religião, nada justifica o não estudar, nada justifica esta paralisia mental e até espiritual, espíritos evoluem e estudam ou alguém pensa que caboclos e pretos velhos nunca estudaram para fazerem o que fazem e receitarem o que receitam.
“– Há, mas é o meu guia que tem que saber das coisas (de umbanda) eu não preciso.”
Esta é uma verdade parcial, pois mesmo que não se tenha nenhuma informação, mas uma boa incorporação, os guias realizam um bom trabalho. Mesmo no mais “ignorante” um sábio pode se manifestar, desde que tenham afinidades de objetivo, que pode ser o objetivo de ajudar o próximo. Neste caso temos uma umbanda como um fenômeno que “eu não sei de nada”, mas para tê-la como religião precisamos estudar e muito.

Todos são chamados e escolhidos são os que se dedicam.

Que cada um de nós avalie o que é bom, mas que avalie estudando, pois como avaliar o que não se conhece?
Enquanto umbandistas, devemos estudar e nos esclarecer para sermos formadores de opinião sobre nossa religião. Depois devemos sim nos esforçar em esclarecer o que é Umbanda, multiplicar as informações sobre Umbanda.
O estudo dentro do terreiro é fundamental para a evolução daquela casa, mas os estudos fora do terreiro são fundamentais a evolução e futuro da religião.
Não precisamos mudar nosso trabalho mediúnico espiritual, apenas entender melhor o que é a Religião Umbanda, entender melhor o que estamos fazendo aqui, qual o nosso papel.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011


Uma ótima noite....
Por Junior Pereira

Acabo de assistir um pedaço do programa da HEBE CAMARGO na REDE TV, onde o assunto foi fé...
Entre os entrevistados, estava lá nosso querido amigo, mestre e irmão Rubens Saraceni...
Fiquei emocionado por ver um sacerdote Umbandista representando nossa fé....
Sei que para os que assistiram o trecho, acharam pouco o tempo disponibilizado e que pouco se falou de religião não é mesmo?
Mas então vamos aproveitar o momento não é mesmo?
Quando foi a última vez que vimos uma autoridade religiosa falando em um programa tão assistido assim?
Que eu me recordo, o Adriano Camargo que falou com propriedade no assunto,
Muito importante na minha opinião sim!

Pouco se falou no dia de hoje em rede aberta,
mas esse “pouco” com toda certeza esta fazendo parte de um novo momento da Umbanda!
Um momento de respeito e principalmente, de reconhecimento enquanto religião que é...
Fiquei sim feliz em assistir essa entrevista, mesmo que pouco se falou de Umbanda...
Mas a cada palavra dita pelo Rubens, meus olhos estavam “ inundados “ de emoção, de alegria, de felicidade...
Porque naquele momento, através de um homem simples, de roupa branca, estola e filá dourado...
Eu vi a Umbanda, sendo representada e pronta para se firmar em nossa sociedade!
Vem Umbanda, vem e se faça cada vez mais presente em nossas vidas...
Um padre que também foi convidado para o programa disse:
Quem coloca rótulos em Deus somos nós.
Fantástico!!!!

Desculpem se minhas palavras se entrelaçam nesse texto e em algum momento não me fiz claro...
Estou emocionado e quis aproveitar esse momento e... escrever.... teclar... desabafar....
Confesso que assim estou... emoção a flor da pele...
Vejo a Umbanda ganhando espaço através de pessoas que a respeitam e a tratam como se deve: algo divino!
Vejo a Umbanda cada vez mais perdendo a “ muleta “ que tanto a acompanhava através de pessoas que não tinham noção do quanto ela é especial, pois é religião...
E religião, sempre esta disposta ao bem! Ao contrario disso, não é religião e muito menos Umbanda!
Parabéns a todos os envolvidos nesse trabalho de minutos, mas que fará toda a diferença por algumas eternidades...
E mais uma vez eu digo: A Umbanda é Deus, se manifestando em forma de religião...
E isso é opinião minha! Pois é algo indescritível para esse momento...

“ A Umbanda, é paz e amor...
Um mundo, cheio de luz...”

A cada ponto cantando, a cada palma estralada nas mãos de cada um...
A cada cheiro de erva queimada....
A cada sorriso no rosto de uma criança...
A cada palavra sábia de um preto-velho...
A cada “brado” de um caboclo....
A cada risada de um Exu....
Percebo Deus, se mostrando presente na minha vida e nos meus trabalhos...
Percebo Deus, sinto Deus e...
VIVA A UMBANDA!!!!!
VIVA A UMBANDA!!!!
Forte abraço,

Junior Pereira
Mais um Umbandista que ama o que faz e aquilo que crê...
Sim, eu creio que Deus, nos guias e na sua natureza divina!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

OLORUM




Só existe um Deus, Olorum!

“É na eternidade do tempo e na infinitude de Deus que todas as evoluções acontecem”.
Rubens Saraceni

            A unidade religiosa da Umbanda está em Olorum, o Divino Criador, Deus, princípio de tudo. A palavra Olorum é de origem yorubá, é uma contração de Olodumaré (senhor supremo do destino). Olo significa senhor e Orum o além, o alto, o céu. Olorum é o senhor do Céu, infinito em Si mesmo, onisciente, onipotente, onipresente, oniquerente e indivisível. Ele é em Si toda a criação e rege tudo no universo. Deus é UM, sempre foi e sempre será, mas muitos são os nomes pelos quais Ele é conhecido. Os nomes usados para diferentes povos e religiões, referem-se simplesmente aos diversos caminhos por meio dos quais Deus manifesta a Si mesmo na criação, para cada povo com sua cultura específica.
            Deus não tem um início; é princípio, meio e fim; é o Criador, o Gerador de tudo o que existe e está tanto na Sua criação como nas criaturas e nos seres que gera. Deus é vida, é o mistério que anima e fornece os meios ideais para que nos multipliquemos em nossos filhos, que também trazem em si a capacidade de se reproduzir, pois são gerados em um meio vivo. Olorum, Senhor Supremo do Destino, é infinito em tudo e também o é nas Suas divindades, os Sagrados Orixás. Ele as gerou em Si e elas complementam-se umas as outras na sustentação da criação divina e na manutenção dos princípios que regem, manifestando-se através dos sentidos da Fé, do Amor, do Conhecimento, da Justiça, da Lei, da Evolução e da Geração.
Os orixás são mistérios individualizados do Divino Criador, são Divindades, Tronos Sagrados distribuídos por toda a Sua Criação, são manifestações das qualidades divinas. Olorum é o todo e Suas divindades são as partes formadas por esse todo. Cada divindade atua num campo só seu e em momento algum elas se chocam. Adorar as divindades significa adorar as qualidades de Deus. A magnitude, a grandeza infinita de Olorum, nos agracia e contempla com Suas divindades, pela quais podemos perceber o quanto o Divino Criador é infinito em Si mesmo.
Portanto, a Umbanda não é politeísta e os orixás não são deuses. Eles são divindades de Deus, são irradiações divinas que amparam os seres até que evoluam, desenvolvendo seus dons naturais, para alcançarem seus fins em Deus. Deus se manifesta e se irradia em todos os níveis onde vivem os seres e as criaturas, através do Setenário Sagrado, os sete sentidos da vida, pelos quais fluem as essências divinas (cristalina, mineral, vegetal, ígnea, aérea, telúrica e aquática) que chegam até nós pelas vibrações mentais, sonoras, energéticas e magnéticas.
Olorum nos gerou em Seu íntimo e nos exteriorizou como Seus filhos humanos, dotados com Sua programação genética humana, para que através da nossa vivência, encontremos nossa forma pessoal de evolução e ascensão, pois só assim nos tornaremos em nós mesmos as Divindades humanas de Deus, o nosso Divino Criador.
Nós Vos louvamos e Vos agradecemos Divino Criador Olorum!

(livro: Manual Doutrinário, Ritualístico e Comportamental Umbandista – Rubens Saraceni)

Olorum! Algo que não nos é possível imaginar, e que, como Princípio Criador é impossível de ser penetrado. Isso é o que chamamos “Olorum”, o Princípio de Tudo, o Senhor Deus de todos nós.
Olorum rege todo o Universo. Nada escapa às leis imutáveis do Princípio Criador.
Como centelhas emanadas do Criador, temos que, após nossa evolução, retornaremos a Ele.
Trazemos gravados em nosso mental Sua herança. A nós compete, em nossa caminhada evolutiva, equilibrar sempre esta herança e desenvolvê-la.
Não é possível determinarmos o tempo necessário para que isso se realize. Mas isso não importa a Olorum, o Criador, pois onde quer que estejamos, estaremos N’Ele.
Se quisermos encontrar o Criador Olorum, temos que procurá-Lo primeiramente em nós. Somente depois poderemos entender as leis que regem o Universo.
Olorum é o princípio que rege tudo e todos. E como Ele é “O Perfeito” e O Único Regente da Vida, temos que amá-Lo e respeitá-Lo como o Doador da Vida.
Muitos, ao seu tempo, codificaram leis que nos levaram para mais perto do Princípio Criador, Deus. Mas nunca explicaram o Princípio Regente do Universo. Nem o princípio perfeito que nos rege foi bem explicado.
Nosso espírito traz em si princípios criadores, e a exemplo das borboletas que têm que deixar o casulo para voar, precisamos do corpo físico para nos desenvolver.
Quando encarnamos, é o corpo que vai sustentar o espírito para que, quando este se libertar, possa dar os seus “vôos”. Mas muitos, após deixarem seu corpo, não conseguem voar porque estão atados ao casulo carnal.
Quando isso ocorre, dizemos que esta vida foi inútil, porque não permitiu ao nosso espírito alçar vôo rumo ao Criador Olorum.
Mas isso ocorre porque alguns dos Seus princípios foram distorcidos por nós. Para estarmos em harmonia com Olorum, não podemos desafiar Suas leis.
Olorum não é algo que possamos imaginar sob uma forma física. Um princípio é como uma lei, não tem forma, apenas ação.
Olorum é tudo o que podemos imaginar e muito mais. Ele está na menor partícula que pode existir no Universo, e também na maior ou no próprio Universo. O Universo é seu corpo e nós somos células desse organismo perfeito. Vamos amá-Lo e respeitá-Lo como Ele é: o Princípio da Vida! Vamos respeitá-Lo e às Suas leis imutáveis, que assim chegaremos mais rapidamente ao plano celestial que Ele nos reservou.
Na Umbanda, Olorum é o Princípio, e os Orixás são seus agentes executores das leis que regem tanto a vida quanto a Natureza. Os orixás não são deuses no sentido vulgar que muitos lhes querem dar.
O Ritual de Umbanda é isso: muito saber a ser descoberto! Muita luz ainda por vir. E isso é só o começo. Quando isso se difundir, acabarão os dissídios entre os homens, porque quem conhece as leis que regem o Princípio Criador não as desafia, pois sabe que elas executam-se. Como princípios vivos que são, estas leis não precisam de juízes, e quem as transgride é automaticamente punido pela própria transgressão.
Tudo isso é o princípio Criador, Olorum.
Mas Olorum, além de ser a Lei, é o Amor. Amor este que se traduz por um sentimento de ponderação. Aquele que ofende ou desrespeita o objeto amado, em verdade não o ama. Está sendo movido apenas pela paixão, não pelo amor.
A paixão é aquilo que os fanáticos entendem por amor, seja a uma causa, a uma pessoa ou a Olorum. O Amor a Olorum é que equilibra os espíritos humanos, assim como toda a criação.
Somente a Razão nos aproxima do Princípio Criador. A Razão precisa estar em harmonia com o Amor. É através de um ato de amor que a vida nos é concedida, e é por este mesmo amor que o Princípio criador nos mantém com tantos recursos da Natureza.
Não podemos penetrar em sua essência, pois isso é impossível, mas podemos senti-La pulsando em nós mesmos. E somente quem ama de verdade o Princípio Criador Olorum, consegue senti-Lo.
Quem O ama não O ofende com a ignorância que impera entre os homens e a respeito de Sua natureza. Não como O cultuemos. O que realmente importa é que O amemos e respeitemos, como parte de Seu todo. Dentro do Universo, somos criação Dele.
É Como seres dotados dos sentidos e dons em nossa herança genética, temos por finalidade ativá-los cada vez mais, não importando quantas reencarnações sejam necessárias para que consigamos isso.
Mas desde que conheçamos esses sentidos ou dons, podemos torná-los ainda na carne, sem esperar pelo mundo espiritual para desenvolvê-los.
Quando procuramos o conhecimento, começamos a adquirir Sabedoria, que por sua vez desperta a Razão. Essa mesma Razão nos faz procurar o Equilíbrio, ou as leis que regem o Todo. Após muita procura, conseguimos descobri-las.
Tendo encontrado esses princípios, e percebendo que são perfeitos, passamos a ser movidos pela Fé, uma fé inquebrável em Olorum, o Princípio Vivo. Tendo Fé nesse Princípio, nós passamos a amar a vida como uma dádiva Sua. E, se temos Fé e amamos a Vida, então amamos o Criador Olorum.

  Conhecimento
            Eis como se desperta a herança do Criador! Conhecê-Lo é importante, tanto para Ele como para nós. A Ele interessa que O amemos e O respeitemos após conhecê-Lo, pois quem conhece solidifica seu amor. Estes são Seus desígnios sagrados.
Só vivenciamos a Fé pura, aquela que não precisa de explicações profundas, quando nosso espírito está sendo reajustado ou conduzido à senda da Luz Eterna. Quando isso é obtido, em beneficio do espírito começa a peregrinação rumo ao conhecimento.
Quando adquirimos o conhecimento a respeito dos muito meios que Olorum, o Criador utiliza para se comunicar conosco, passamos à busca da Sabedoria.

           Sabedoria
A Sabedoria nos revela os mistérios ocultos e sagrados.
São muitos os mistérios, e a partir daí iremos descobrir qual é o nosso ancestral místico, ou elemento com o qual o espírito foi alimentado.
O espírito é emanação pura do Criador e somente no decorrer de muitas reencarnações é que ele vai absorver os seus fatores opostos, ou qualidades que predominam nos outros elementos.
Quando nos tornamos sábios, procuramos nos guia pela Razão, ou raciocínio.

            Razão
A razão é que nos ensina como usar o que a Sabedoria nos revelou: seus mistérios, sua força ativa e sua razão de ser.
Passamos então por um novo estágio. À vezes somos levados à vida religiosa, outras vezes nos dedicamos a ensinar nossos semelhantes a condição de professores, ou simplesmente conselheiros, etc.
O modo escolhido não importa. O importante é que estamos usando o saber acumulado em nosso inconsciente com o auxílio da Razão, e não da emoção pura, o que proporciona o Equiilibrio ou Lei.

            Equilíbrio
A escolha racional nos leva ao equilíbrio da alma, através do conhecimento da Lei que nos rege.
Esta Lei não é cega nem falível porque, se ensinarmos errado seremos colhidos por ela, que exige muito de quem conhece os mistérios da Razão.
Este equilíbrio nos diz o que é certo e o que é errado na vida.
Se trilharmos no equilíbrio da Lei, iremos adquirir uma fé indestrutível no que fazemos e no que falamos: tudo o que fizermos ou falarmos terá um sentido. Nada será feito ou dito em vão. Tudo terá sua razão de ser, porque é assim que é. E não adiantará que digam que é de outra forma.
É isso que faz com que aqueles que já adquiriram o seu equilíbrio e se tornaram conhecedores da Lei sacrifiquem-se em benefício dos semelhantes sem nada esperar em troca.
Tudo se resume em servir à sua família, ao seu círculo familiar, à sua comunidade, tanto civil quanto religiosa, e servir a Deus.
  
                             Vida
            E quando alguém se torna “equilibrador” de seus semelhantes é porque descobriu o sentido da Vida.
            Usando o exemplo do corpo humano, sabemos que, para estarmos bem, todos devem estar saudáveis e equilibrados à nossa volta. Não somos órgãos isolados do corpo de Olorum. Passamos, então, a nos preocupar mais com o bem estar do nosso semelhante do que com nós mesmos. Dedicamos um tempo de nossa vida a ajudar na solução dos problemas alheios, e muitas vezes esquecemos nossos próprios problemas.
            Descobrimos, assim, o sentido da Vida, e o porquê de termos tudo o que precisamos á nossa disposição. Pedimos, então, que retirem da natureza apenas o necessário, sem destruírem-na, pois aquilo que não serve para uns pode servir a outros, e assim sucessivamente.
            Dessa forma estamos nos integrando por inteiro ao nosso ancestral místico. Não nos incomodamos mais com as outras religiões. Nem cor, nem raça nos incomoda mais. Sabemos que tudo é parte do mesmo corpo divino de Olorum, o Criador de Tudo e de Todos.
            Olhamos com olhos que buscam nas coisas simples a essência do criador. Sabemos que uma pedra é tão importante quanto uma montanha; que um copo de água é tão importante quanto um lago. Sabemos também que uma chama é tão importante quanto o sol, e que o pedaço de solo de onde tiramos nosso alimento, ou sobre ele moramos, é tão importante quanto o resto do planeta.
            Como se dá isso?
            Simples: umas pedras juntadas ao acaso servem para construir um muro, ou uma casa, ou uma represa. Enfim, nos trazem algum tipo de proteção, assim como as montanhas servem para proteger o planeta, contendo as águas, barrando a força dos ventos, equilibrando-os em si mesmos.
            Assim como um copo de água sacia nossa sede, um lago é fonte de vida na natureza, e tem sua função regulada pelas necessidades dos seres que dele vivem; uma chama no fogão cozinha os alimentos, enquanto o calor do sol transforma a natureza em vida através de seus ciclos eternos e imutáveis consubstanciados nas estações climáticas.
            Sabemos que tudo é vida, que a própria morte é um ato de vida. Sabemos que, em verdade, nada muda com a morte, que apenas muda a vibração e, por sabermos de tudo isso que o conhecimento despertou, adquirimos uma fé indestrutível no Criador Olorum.

             
Sabemos que é Ele, de fato, o fim de tudo. Que por Ele fomos gerados e a Ele retornaremos, não mais na forma de uma pequena centelha, mas sim como grandes seres iluminados.
Acreditamos nesse princípio, e nossa fé é indestrutível. Nada consegue demovê-la. Tudo tem sua razão de ser. Tudo é! Isto é Fé!
É ela que nos faz perceber a grandeza do Criador Olorum, o Princípio de Tudo e de Todos. É esta fé que nos faz transbordar em Amor.

                         Amor
Amamos a nós mesmos como obra sagrada do Deus Criador Olorum. Amamos a vida dos nossos semelhantes como a nossa própria vida. Amamos a natureza que nos sustenta vivos e que, após a morte da carne, através de seus pontos de força, cria condições para a continuidade da existência do espírito.
Então em nós não há lugar para a revolta, o ódio, a inveja ou a paixão. Temos somente Amor. E muito Amor recebemos de Olorum.
Notem que em qualquer ordem que colocarmos um dos sete princípios ele será ativador dos outros seis que trazemos como herança do nosso Criador Olorum. Ao nos aproximarmos de um deles, e se o absorvermos estaremos absorvendo a todos os outros.
Isto tudo é Olorum, o Criador!
Tudo N’Ele age integrado. Nada é por acaso, tudo tem um sentido.
Se aprendermos com o auxílio dos sete sentidos, que Olorum nos dotou com nossa herança ancestral, estaremos de fato integrados ao seu  Corpo divino. Não seremos folhas soltas ao vento, nem água parada, insalubre. Todos podem saciar sua sede de conhecimento de Olorum, o Criador. Não seremos simples átomos, distantes do seu elemento gerador, mas sim, seremos parte do Todo divino.
Não seremos uma luz perdida nas trevas, mas sim luzes emanadas do Criador, algumas vezes colocadas nas trevas para servir como faróis em alto-mar a guiar aqueles que estão em longa jornada e que precisam de um sinaleiro que lhes diga onde estão as rotas perigosas, e qual o melhor caminho a seguir para que levem a bom termo sua viagem evolutiva.
Por que isso? Porque sabemos, e acreditamos com muita fé, que um dia partimos do Criador Olorum com uma finalidade: engrandecer a Sua Criação. Sabemos que podemos encontrá-Lo em todos os lugares ao mesmo tempo, falando diferentes línguas a diferentes filhos Seus e a todos Ensinando.
Muitas vezes, Ele não é compreendido. Mas Se incomoda com isso, porque sabe que Se não foi Compreendido numa determinada língua, em outra língua ou em outro tempo Será. Tudo é uma questão de tempo!
Olorum não tem pressa. Ele é “O Perfeito”, e nos tem como parte integrante dessa obra perfeita que é o universo.
Você tem alguma dúvida quanto a isso?
Então só o tempo lhe responderá de forma mais sábia “Quem” e “O Que” é Olorum, o Princípio Criador.
Muito mais poderíamos falar a respeito de Olorum, mas quem ainda não conseguiu entender o Seu princípio, não está preparado para conhecer mais a Seu respeito. E quem entendeu o que foi dito é porque já possui um ou mais dos fatores que compõem Sua herança ancestral. E, no seu devido tempo, terá todas as respostas a respeito de Olorum, o Criador de Tudo e de Todos.

(livro: Umbanda Sagrada – Religião, Ciência, Magia e Mistérios – Rubens Saraceni)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

AS DIVINDADES DE DEUS


A palavra divindade significa algo Divino e é aplicada aos seres que são, em si, mistérios de Deus. Logo, uma divindade é um ser Divino e um mistério de Deus.
Elas podem ser denominadas anjos, arcanjos, serafins, tronos, orixá, etc., e podem ter nomes bem humanos, tais como: Anjo do Amor, Arcanjo Miguel, Serafim Verde, Trono da Fé, Oxalá, etc.
Aí temos várias classes de divindades, cada uma com um nome formado por palavras humanas. Os nomes foram dados a elas por pessoas que as identificaram a partir do que viram nelas ou delas sentiram.
Nós temos uma distribuição para cada classe e as denominamos segundo nosso entendimento humano das coisas Divinas.
Agora, caso queiramos ter uma noção do que são as divindades de Deus, então temos que abordá-las da seguinte forma:
«  Uma divindade é um ser gerado em Deus; qualificado por Ele com uma de Suas qualidades; amadurecido em seu interior; divinizado dentro d’Ele e exteriorizado por Ele, já como um ser gerador e irradiador natural da qualidade Divina que o distingue e o torna o que é em si: uma divindade de Deus e um mistério em si mesmo.
«  Toda divindade já era o que é antes de ter-se deslocado do interior de Deus e ter passado a viver no seu exterior, no qual por ter u ma qualidade especificamente Divina, também tem uma função especifica onde quer que venha a estar.
«  Não importa que ela se desloque ou seja deslocada por Ele, pois sempre será o que é desde que foi gerada n’Ele: sempre será uma divindade.
«  Dentro de uma mesma classe de divindades, nós a encontramos em todos os níveis da criação, e se não podemos visualizá-las no macro por causa da nossa limitação visual, no entanto podemos ter uma idéia de como são porque nos é possível ver as divindades locais.
«  Nós, vendo uma divindade local (ou menor), podemos ter uma idéia de como são as divindades médias, maiores ou celestiais, porque em uma mesma classe todas são iguais.
«  Uma divindade não é onipotente, onipresente, oniquerente e onisciente em todos os sentidos, em todos os aspectos e em todos os níveis da criação porque essa atribuição é exclusiva de Deus, e só d’Ele.
«  Mas uma divindade – seja ela menor, média ou maior – no sentido, no aspecto e no nível vibratório em que atua, é sua autoridade máxima porque é em si a representante exclusiva de Deus. E em si é onipotente, onisciente, onipresente e oniquerente porque ali ela é a potencia Divina d’Ele.
«  As divindades são exteriorizações de Deus e podemos vê-Lo nelas, já que esta são, em si, seus aspectos exteriores e são as exteriorizadoras dos seus aspectos Divinos e internos.
«  Nós não devemos separar uma divindade menor da sua igual média ou maior, pois são uma mesma coisa, apenas individualizadas nos seus níveis vibratórios correspondentes.

Com isso entendido, saibam que Deus tem em cada uma de suas divindades uma de suas feições Divinas e Ele, que é infinito em tudo, também o é nas suas feições, pois o número de suas divindades é infinito e não se  limita só as que são conhecidas no plano material da vida, nesse nosso abençoado planeta Terra, e que são as representantes Divinas aqui, pois em outros planetas há outras, específicas para cada um deles.
Tal como as divindades de Deus, que são suas exteriorizadoras Divinas, nós somos seus exteriorizadores, humanos, e podemos nos divinizar, caso sejamos humanos em todos os nossos sentidos capitais, que são: o sentido da Fé, o sentido do Amor, o sentido do Conhecimento, o sentido da Justiça, o sentido da Lei, o sentido da Evolução e o sentido da Geração.
E se ousamos dizer isto, é porque Deus nos gerou no seu íntimo e nos exteriorizou (conduziu-nos ao seu exterior) já como Seus (Suas) filhos(as) humanos(as) com sua herança genética humanística, a qual, por ser uma de suas qualidades vivas, nos tornou Divinos assim que Ele nos gerou.
Divinizemo-nos através do nosso humanismo, pois só assim nós também nos tornaremos em nós mesmos as divindades de Deus, o nosso Divino Criador.


(Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada: a religião dos mistérios um hino de amor a vida. Rubens Saraceni – São Paulo: Madras, 2008)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

AS SETE LINHAS DE UMBANDA


As sete linhas de Umbanda não são sete orixás, mas sim as sete Irradiações Divinas, que são sete vibrações de Deus que dão sustentação a tudo o que existe em nosso planeta.
São irradiações Divinas e cada uma flui num padrão próprio e influencia quem é alcançado por ela, alterando sentimentos mais íntimos e nosso padrão vibratório, tornando-nos afins com elas, que estimulam em nós a vibração de sentimentos nobres e virtuosos.
São sete irradiações, sete padrões vibratórios, sete sentidos da vida e sete sentimentos.
As sete irradiações dão origem a sete essências, que dão origem a sete elementos, que dão origem a sete tipos de matérias ou energias.
Essências: cristalina, mineral, vegetal, ígnea, eólica, telúrica, aquática.
Como essências, são irradiações “essenciais” que penetram nosso mental e espalham-se pelo nosso ser imortal, estimulando-nos de dentro para fora, ativando nossos sentimentos virtuosos.
Mas quando são irradiações energéticas ou elementais, elas estimulam nosso corpo energético, alterando nosso padrão vibratório, elevando-nos imediatamente. São essas irradiações que nos chegam por intermédio dos orixás.
Existem orixás que, por sua própria natureza, são polarizadores e irradiam essas vibrações de forma passiva ou ativa.
Enquanto no nível da essência, elas são imperceptíveis, pois nos chegam direto de Deus. Mas quando as recebemos dos orixás, elas são elementais e já forma bipolarizadas. Logo, as sete linhas assumem esta bipolarização, surgindo automaticamente dois pólos em cada uma delas.
Assim, temos sete linhas, mas catorze orixás, pois uns ocupam os pólos ativos e outros, os pólos passivos.
É nesta bipolarização que os arquétipos dos orixás vão se formando; aí eles vão se individualizando e assumindo atribuições específicas, mesmo atuando sob uma mesma irradiação.
  
Oxalá
Atuam na linha da fé ou da religiosidade
Oyá – Tempo
Oxum
Atuam na linha do amor ou da concepção
Oxumaré
Oxossi
Atuam na linha do conhecimento ou raciocínio
Obá
Xangô
Atuam na linha da justiça ou da razão
Iansã
Ogum
Atuam na linha da lei ou ordenação
Egunitá
Obaluaê
Atuam na linha da evolução ou equilíbrio
Nanã
Iemanjá
Atuma na linha da geração ou maternidade
Omolu

 Esses orixás dão sustentação vibratória a todos os trabalhos nos Templos de Umbanda Sagrada.
Um orixá pode manifestar todas as sete essências e sustentar toda uma religião por si só. Um só aparece, mas todos os outros estão por perto, ainda que não se mostrem.

(Saraceni, Rubens. Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada. Editora Madras)