quinta-feira, 18 de agosto de 2011

AS DIVINDADES DE DEUS


A palavra divindade significa algo Divino e é aplicada aos seres que são, em si, mistérios de Deus. Logo, uma divindade é um ser Divino e um mistério de Deus.
Elas podem ser denominadas anjos, arcanjos, serafins, tronos, orixá, etc., e podem ter nomes bem humanos, tais como: Anjo do Amor, Arcanjo Miguel, Serafim Verde, Trono da Fé, Oxalá, etc.
Aí temos várias classes de divindades, cada uma com um nome formado por palavras humanas. Os nomes foram dados a elas por pessoas que as identificaram a partir do que viram nelas ou delas sentiram.
Nós temos uma distribuição para cada classe e as denominamos segundo nosso entendimento humano das coisas Divinas.
Agora, caso queiramos ter uma noção do que são as divindades de Deus, então temos que abordá-las da seguinte forma:
«  Uma divindade é um ser gerado em Deus; qualificado por Ele com uma de Suas qualidades; amadurecido em seu interior; divinizado dentro d’Ele e exteriorizado por Ele, já como um ser gerador e irradiador natural da qualidade Divina que o distingue e o torna o que é em si: uma divindade de Deus e um mistério em si mesmo.
«  Toda divindade já era o que é antes de ter-se deslocado do interior de Deus e ter passado a viver no seu exterior, no qual por ter u ma qualidade especificamente Divina, também tem uma função especifica onde quer que venha a estar.
«  Não importa que ela se desloque ou seja deslocada por Ele, pois sempre será o que é desde que foi gerada n’Ele: sempre será uma divindade.
«  Dentro de uma mesma classe de divindades, nós a encontramos em todos os níveis da criação, e se não podemos visualizá-las no macro por causa da nossa limitação visual, no entanto podemos ter uma idéia de como são porque nos é possível ver as divindades locais.
«  Nós, vendo uma divindade local (ou menor), podemos ter uma idéia de como são as divindades médias, maiores ou celestiais, porque em uma mesma classe todas são iguais.
«  Uma divindade não é onipotente, onipresente, oniquerente e onisciente em todos os sentidos, em todos os aspectos e em todos os níveis da criação porque essa atribuição é exclusiva de Deus, e só d’Ele.
«  Mas uma divindade – seja ela menor, média ou maior – no sentido, no aspecto e no nível vibratório em que atua, é sua autoridade máxima porque é em si a representante exclusiva de Deus. E em si é onipotente, onisciente, onipresente e oniquerente porque ali ela é a potencia Divina d’Ele.
«  As divindades são exteriorizações de Deus e podemos vê-Lo nelas, já que esta são, em si, seus aspectos exteriores e são as exteriorizadoras dos seus aspectos Divinos e internos.
«  Nós não devemos separar uma divindade menor da sua igual média ou maior, pois são uma mesma coisa, apenas individualizadas nos seus níveis vibratórios correspondentes.

Com isso entendido, saibam que Deus tem em cada uma de suas divindades uma de suas feições Divinas e Ele, que é infinito em tudo, também o é nas suas feições, pois o número de suas divindades é infinito e não se  limita só as que são conhecidas no plano material da vida, nesse nosso abençoado planeta Terra, e que são as representantes Divinas aqui, pois em outros planetas há outras, específicas para cada um deles.
Tal como as divindades de Deus, que são suas exteriorizadoras Divinas, nós somos seus exteriorizadores, humanos, e podemos nos divinizar, caso sejamos humanos em todos os nossos sentidos capitais, que são: o sentido da Fé, o sentido do Amor, o sentido do Conhecimento, o sentido da Justiça, o sentido da Lei, o sentido da Evolução e o sentido da Geração.
E se ousamos dizer isto, é porque Deus nos gerou no seu íntimo e nos exteriorizou (conduziu-nos ao seu exterior) já como Seus (Suas) filhos(as) humanos(as) com sua herança genética humanística, a qual, por ser uma de suas qualidades vivas, nos tornou Divinos assim que Ele nos gerou.
Divinizemo-nos através do nosso humanismo, pois só assim nós também nos tornaremos em nós mesmos as divindades de Deus, o nosso Divino Criador.


(Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada: a religião dos mistérios um hino de amor a vida. Rubens Saraceni – São Paulo: Madras, 2008)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

AS SETE LINHAS DE UMBANDA


As sete linhas de Umbanda não são sete orixás, mas sim as sete Irradiações Divinas, que são sete vibrações de Deus que dão sustentação a tudo o que existe em nosso planeta.
São irradiações Divinas e cada uma flui num padrão próprio e influencia quem é alcançado por ela, alterando sentimentos mais íntimos e nosso padrão vibratório, tornando-nos afins com elas, que estimulam em nós a vibração de sentimentos nobres e virtuosos.
São sete irradiações, sete padrões vibratórios, sete sentidos da vida e sete sentimentos.
As sete irradiações dão origem a sete essências, que dão origem a sete elementos, que dão origem a sete tipos de matérias ou energias.
Essências: cristalina, mineral, vegetal, ígnea, eólica, telúrica, aquática.
Como essências, são irradiações “essenciais” que penetram nosso mental e espalham-se pelo nosso ser imortal, estimulando-nos de dentro para fora, ativando nossos sentimentos virtuosos.
Mas quando são irradiações energéticas ou elementais, elas estimulam nosso corpo energético, alterando nosso padrão vibratório, elevando-nos imediatamente. São essas irradiações que nos chegam por intermédio dos orixás.
Existem orixás que, por sua própria natureza, são polarizadores e irradiam essas vibrações de forma passiva ou ativa.
Enquanto no nível da essência, elas são imperceptíveis, pois nos chegam direto de Deus. Mas quando as recebemos dos orixás, elas são elementais e já forma bipolarizadas. Logo, as sete linhas assumem esta bipolarização, surgindo automaticamente dois pólos em cada uma delas.
Assim, temos sete linhas, mas catorze orixás, pois uns ocupam os pólos ativos e outros, os pólos passivos.
É nesta bipolarização que os arquétipos dos orixás vão se formando; aí eles vão se individualizando e assumindo atribuições específicas, mesmo atuando sob uma mesma irradiação.
  
Oxalá
Atuam na linha da fé ou da religiosidade
Oyá – Tempo
Oxum
Atuam na linha do amor ou da concepção
Oxumaré
Oxossi
Atuam na linha do conhecimento ou raciocínio
Obá
Xangô
Atuam na linha da justiça ou da razão
Iansã
Ogum
Atuam na linha da lei ou ordenação
Egunitá
Obaluaê
Atuam na linha da evolução ou equilíbrio
Nanã
Iemanjá
Atuma na linha da geração ou maternidade
Omolu

 Esses orixás dão sustentação vibratória a todos os trabalhos nos Templos de Umbanda Sagrada.
Um orixá pode manifestar todas as sete essências e sustentar toda uma religião por si só. Um só aparece, mas todos os outros estão por perto, ainda que não se mostrem.

(Saraceni, Rubens. Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada. Editora Madras)







segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O QUE É ORIXÁ ?


Orixá é um poder divino em si mesmo e realiza-se na vida dos seus cultuadores como uma energia viva e divina capaz de realizar ações abrangentes, modificadoras da vida do ser.
Orixá é o poder de Deus manifestado de forma “personificada” em que um ente de natureza divina irradia continuamente esse poder que concentra em si e doa graciosamente a todos que, movidos pela fé, a ele recorrer religiosamente por meio de cantos e orações.
Já quem recorrer magisticamente a eles, aí é preciso outros procedimentos para ativação do seu poder realizador.
Muitos são os poderes de Deus e muitos são os Orixás cultuados na Umbanda. Diferente do Candomblé Nagô, onde o sobrenome é designador da qualidade do Orixá, na Umbanda cada sobrenome simbólico indica uma entidade em si com sua hierarquia espiritual a manifestá-lo e trabalhar incorporado durante as giras ou sessões de incorporação.
Ogum é o Orixá maior. Já Ogum Megê é o “Ogum dos Cemitérios”.
Ogum para todos, Ogum Megê para os trabalhos espirituais no terreiro ou no cemitério.
Para um sacerdote dos Orixás na Nigéria, provavelmente é uma heresia oferendar Ogum em um cemitério. Mas nós só oferendamos Ogum Megê no cemitério, pois, para nós, ele é o ordenador ético e moral dos procedimentos nos domínios de Obaluaiê e Omulu, os donos do “Campo Santo”.
Logo, se é nesse campo que essa entidade atua, é nele que deve ser firmado, oferendado e invocado magisticamente. Esses procedimentos não fomos nós, os encarnados, que determinamos. Quem os ensinou e ordenou que assim procedêssemos foi a espiritualidade que, aos se manifestar em seus médiuns, indicava como deviam proceder.
Pouco a pouco, todo um novo conhecimento e uma nova forma de cultuar e ativar os poderes dos Orixás nos foram sendo transmitidos até que chegamos a um ponto em que precisamos limitar um pouco as muitas possibilidades colocadas à nossa disposição pelos guias espirituais.
Isto é Orixá na Umbanda: uma força e um poder colocados à nossa disposição de uma forma diferente da já tradicional na Nigéria.
Como a Umbanda nasceu no Brasil e foi pensada no plano espiritual por mentes evoluidíssimas, um novo modo e uma nova forma foram tomando corpo e resultaram em uma nova religião.
Tal como o Cristianismo fez com o Velho Testamento: reescreveu-o no Novo Testamento e está aí, há dois mil anos acolhendo e sustentando religiosamente os seus seguidores.
Orixá é poder divino e pode ser adaptado a vários modos e formas de culto e de magia.
Orixá gera religiões e magias porque é poder fundamentado em Olorum, o nosso Divino Criador.
Não tenham dúvidas, se for preciso, eles criam novas formas de culto e novos modos de ativá-los religiosa e magisticamente. Quando e onde for necessário, lá surgirão uma forma e um modo específicos onde seus fundamentos divinos, os naturais, os espirituais e os magísticos estarão preservados e intactos porque são divinos, são sagrados e são parte deles.
Na verdade, os seus fundamentos são imutáveis porque são suas essências e suas qualidades religiosas e magísticas.
Concluindo, Orixás é poder divino colocado à nossa disposição e alcance para recorrermos quando criam-nos ou criamo-nos dificuldades que paralisam nossa evolução espiritual ou material. Ou ambas!




Texto extraído do livro “Os Arquétipos da Umbanda - As hierarquias espirituais dos Orixás” de Rubens Saraceni - Editora Madras.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Orixá Ancestral, de Frente e Adjuntó


Uma dúvida dos umbandistas é sobre seu orixá. Nós sabemos que orixá ancestral não é o mesmo que orixá de frente ou ajuntó. O orixá ancestral está ligado à nossa ancestralidade e é aquele que nos recepcionou assim que, gerados por Deus, fomos atraídos pelo seu magnetismo divino.
Todos somos gerados por Deus e somos fatorados por uma de suas divindades, que nos magnetiza em sua onda fatoradora e nos distingue com sua qualidade divina.
Uns são distinguidos com a qualidade congregadora e são fatorados pelo Trono da Fé. E, se forem machos é o orixá Oxalá que assume a condição de seu orixá ancestral. Mas, se for fêmea, aí é a orixá Oiá que assume sua ancestralidade.
Uns são distinguidos com a qualidade agregadora e são fatorados pelo Trono do Amor. E, se forem machos é o orixá Oxumaré que assume a condição de seu orixá ancestral. Mas, se forem fêmeas, aí é a orixá Oxum que assume suas ancestralidades.
Uns são distinguidos com a qualidade expansora e são fatorados pelo Trono do Conhecimento. E, se forem machos é o orixá Oxossi que assume a condição de seu orixá ancestral. Mas, se forem fêmeas, aí é a orixá Obá que assume suas ancestralidades.
Uns são distinguidos com a qualidade equilibradora e são fatorados pelo Trono da Razão. E, se forem machos é o orixá Xangô que assume as suas ancestralidades. Mas, se forem fêmeas, aí é a orixá Egunitá que assume suas ancestralidades.
Uns são distinguidos com a qualidade ordenadora e são fatorados pelo Trono da Lei. E, se forem machos é o orixá Ogum que assume suas ancestralidades. Mas, se forem fêmeas, aí é a orixá Iansã que assume suas ancestralidades.
Uns são distinguidos com a qualidade evolutiva (transmutadora) e são fatorados pelo Trono da Evolução. E, se forem machos é o orixá Obaluaiyê que assume suas ancestralidades. Mas, se forem fêmeas, aí é a orixá Nanã que assume suas ancestralidades.
Uns são distinguidos com a qualidade geradora e são fatorados pelo Trono da Geração. E, se forem machos é o orixá Omulu que assume suas ancestralidades. Mas, se forem fêmeas, aí é a orixá Iemanjá que assume suas ancestralidades.
Observem que não estamos nos referindo ao espírito que “encarnou” no plano material, e sim, ao ser que acabou de ser gerado por Deus e foi atraído pelo magnetismo de uma de suas divindades, que, por serem unigênitas (únicas geradas) transmitem naturalmente a qualidade que são em si mesma aos seus “herdeiros”, aos quais imantam com seus magnetismo divinos e dão aos seres uma ancestralidade, imutável pois é divina e jamais ela deixará de guiá-los porque a natureza íntima de cada um será formada na qualidade que o distinguiu, fatorando-o.
Alguém pode reencarnar mil vezes, e sob as mais diversas irradiações, que nunca mudará sua natureza íntima. Agora, a cada encarnação ele será regido por um orixá de frente (o que o guiará enquanto viver na carne) e será equilibrado por outro orixá que será o auxiliar (o ajuntó) desse orixá de frente ou da “cabeça”. Usamos o termo “orixá da cabeça” porque ele regerá a encarnação do ser e o influenciará o tempo todo, pois está de “frente” para ele. Sim, o orixá da cabeça está á nossa frente nos atraindo mentalmente para seu campo de ação e para o seu mistério, ao qual absorveremos e desenvolveremos algumas faculdades regidas por ele. Já o orixá ajuntó, este é um equilibrador do ser e atuará através do seu emocional, hora estimulando-o e hora apassivando-o, pois só assim o ser não se descaracterizará e se tornará irreconhecível dentro do seu grupo familiar ou tronco hereditário, regido pelo seu orixá ancestral.
Nós dizemos isto: na ancestralidade, todo ser macho é filho de um orixá masculino e todo ser fêmea é filha de um orixá feminino.
Na ancestralidade, orixá masculino só fatora seres machos e os magnetiza com sua qualidade, fatorando-os de forma tão marcante que o orixá feminino que o secunda na fatoração só participa como apassivadora de sua natureza masculina. E o inverso acontece com os seres fêmeas, onde o orixá masculino só participa como apassivador dessa sua natureza feminina.
Portanto, no universo da ancestralidade dos seres machos, têm sete orixás masculinos e na dos seres fêmeas, têm sete orixás femininos.
Têm sete naturezas masculinas e sete naturezas femininas, tão marcantes que é impossível ao bom observador não vê-las nas pessoas.
Saibam que, mesmo que o orixá da cabeça ou de frente seja, digamos, a orixá Iansã, ainda assim, por trás dessa regência poderemos identificar a ancestralidade se observarem bem o olhar, as feições, os traços, os gestos a postura, etc., pois estes sinais são oriundos da natureza íntima do ser, apassivada pela regência da encarnação, mas não anulada por ela. Certo?
E o mesmo se aplica ao orixá ajuntó, pois podemos identificá-lo nos gestos e nas iniciativas das pessoas, já que é através do emocional que ele atua.
Outra forma de identificação é através do Guia de frente e do Exu Guardião dos Médiuns. Mas esta identificação exige um profundo conhecimento do simbolismo dos nomes usados por eles para se identificarem.
E também, nem sempre o Guia de frente ou o Exu guardião se mostram, pois preferem deixar isto para o Guia e o Exu de trabalho.
Saber interpretar corretamente o simbolismo é fundamental. Certo?
Então, que todos entendam isto:

 «  Orixá ancestral é aquele que magnetizou o ser assim que ele foi gerado por Deus, e o distinguiu com sua qualidade original e natureza íntima, imutáveis e eternas.
«  Orixá de frente é aquele que rege a atual encarnação do ser e o conduz numa direção na qual o ser absorverá sua qualidade e a incorporará às suas faculdades, abrindo-lhes novos campos de atuação e crescimento interno.
«  Orixá ajuntó é aquele que forma par com o orixá de frente, apassivando ou estimulando o ser, sempre visando seu equilíbrio íntimo e crescimento interno permanente.


Por isso, também, é que muitos encontram em si qualidades de vários orixás. A cada encarnação há a troca de regência da encarnação. E, nessa troca, os seres vão evoluindo e desenvolvendo faculdades relativas a todos os orixás.
Afinal, se somos “humanos”, absorvemos energias e irradiações, magnetismo e vibrações de todos eles. Certo?

sexta-feira, 22 de julho de 2011

UMBANDA - SOU FILHO OU SOBRINHO???


Quantos filhos tem a sua casa?

Um dia um jornalista ao entrevistar uma Mãe de Santo, perguntou: “Quantos filhos a sua casa tem?”.
A senhora não lhe respondeu como ele esperava, disse que ele deveria acompanhar as atividades do terreiro na próxima semana que ele teria a resposta. E assim foi no sábado pouco antes de iniciarem os trabalhos lá estava ele sentado na assistência observando tudo. Viu que havia mais ou menos 40 médiuns, quase todos estavam na corrente, prontos para a gira, e aproveitavam estes momentos que antecediam o inicio dos trabalhos para mostrarem uns aos outros suas roupas novas, ou para colocar algum assunto em dia. Mas notou também que um grupo de cinco médiuns estava em plena atividade arrumando as coisas para o inicio dos trabalhos.
O trabalho foi muito bonito e alegre, quando terminou viu que a grande maioria dos médiuns se apressa em se retirar, uns porque queriam chegar logo em casa, outros por terem algum compromisso. Notou mais uma vez que aqueles mesmos cinco médiuns que antes do inicio arrumavam as coisas, agora eram os que começavam a limpar e organizar o terreiro depois dos trabalhos.
Na segunda feira havia um momento de estudo no terreiro e ele foi convidado, ao chegar ao local, chovia muito e, viu que menos da metade da corrente se fazia presente, novamente notou que aqueles cinco estavam lá.
Na quinta feira haveria um trabalho na Lina do Oriente, e também passaria na TV um jogo da seleção, novamente bem menos da metade da corrente apareceu, mas aqueles cinco estavam entre eles.
No sábado novamente estava sentado na assistência e novamente repetiu o que havia acontecido na semana anterior, os cinco médiuns fazendo os últimos preparativos para o inicio dos trabalhos, e também a limpeza assim que estes se encerraram, e foi no término dos trabalhos que foi chamado pela Mãe de Santo, que lhe perguntou:
Você conseguiu descobrir quantos filhos tem em nossa casa?
Contei 43 minha mãe – respondeu.
Não, filhos de verdade tenho cinco. São aqueles que estavam presentes em todas as atividades da casa.
E os outros?
Os outros são como se fossem “sobrinhos” de quem gosto muito e que também gostam da casa, mas só visitam a “tia” se não houver nenhum atrapalho ou programa ‘melhor’, e mesmo vindo muitas vezes ficam contando os minutos para acabarem os trabalhos.
O rapaz muito sério perguntou:
E por que a senhora não impõe regras para mudar isso?
Meu filho a Umbanda não pode ser imposta a ninguém, tem de ser praticado com entrega, o amor à religião não pode ser uma obrigação, ele deve nascer no coração de cada um, e o mais importante, a Umbanda respeita o livre arbítrio de todos os seres...
E nós, somos “filhos” ou “sobrinhos” de Umbanda?
Somos Umbandistas em todos os momentos de nossa vida, ou somos Umbandistas somente uma vez por semana durante os trabalhos no terreiro?
Agora reflita em suas ações e pergunte pro seu coração...
Você é filho ou sobrinho???

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Religiosidade X Autoconhecimento


Religiosidade e autoconhecimento, duas linhas paralelas na vida do ser, eis que por meio destas o homem traçará um caminho vislumbrando sua transmutação, ou seja, desligar-se da matéria, por conseguinte, fixando-se no espiritual (a exemplo da moral, ética, humanismo, etc.), retornando ao seio da criação original, porém, sempre mantendo o equilíbrio, afinal, o homem necessita dos meios materiais para sua subsistência.
Para fortalecer este intento em contento, não quer dizer que o homem deve abster-se da procura dos bens materiais, mas sim como proceder para se conseguir este. A dizer: Agir com ética, moralidade, logo não usufruindo de meios inidôneos, subterfúgios maléficos para seu bem estar. É perfeitamente compatível a conquista material com a espiritual. Como?  Moralidade é o sentimento, “amar o próximo como a ti mesmo” é a atitude.
Para tanto se faz necessário desenvolvermos um entendimento mais aprofundado sobre a evolução do espírito humano através da linha do autoconhecimento, redundando no despertar da consciência.
A religiosidade é um dos meios que o Criador nos disponibiliza como via evolucionista, despertando em nosso mental chaves únicas que desabrocharão com o florescer dos dons.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Religião


“A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”.


            Religião é algo sublime e tem por função sublimar nossa alma sofrida e cansada dos entreveros desfavoráveis do nosso dia-a-dia.
            Religião é uma forma de comungarmos com Deus e extrairmos Dele energias que nos pacificam, que nos fortalecem e fazem brotar em nosso íntimo a paz, a fé, o amor, a confiança, a resignação, a misericórdia e a esperança.
            Religião é o meio de nos religarmos a Deus e Nele obteremos as forças que nos faltam porque nos exaurimos por choques da lei das ações e reações.
            Religião é algo que deve exaltar em nosso íntimo o humanismo, a paciência e a compaixão.
            Religião não é um mercado de trocas, e sim, é onde nos ofertamos a Deus para que Ele nos acolha e vibre Sua paz e Sua alegria divinas em nosso íntimo.
            Religião é o meio de exaltarmos o Deus que vive em nosso íntimo e que religiosamente, nos torna sensatos, respeitosos, fraternos e amorosos.
            Religião não é lugar para fanáticos, revoltados, rebeldes, intolerantes e para racistas, pois o verdadeiro religioso vê todos como seus irmãos em Deus e vê tudo como criação divina.
            Religião é onde aprendemos a cultivar as virtudes e a combater os vícios.
            Religião é estar em paz com Deus, com seus semelhantes, e consigo mesmo, e extrair dela a força necessária para conviver com as dificuldades e superá-las.
            Religião é o refreador do instintivismo e da revolta íntima do ser diante do que não tem como dominar e subjugar à sua vontade.
            Religião é a aceitação das coisas como elas são e é a submissão às regras sustentadoras da convivência fraterna com os contrários.
            Religião é o exercício da fé pela fé, do amor pelo amor e da esperança pela esperança, sem que algo tenha que ser dado ou exigido em troca.
            Religião é o meio natural que temos à nossa disposição para podermos vivenciar o que temos de melhor, e que é nosso amor ao nosso Divino Criador.
            Religião é tudo isso e muito mais, pois o ser verdadeiramente religioso é um virtuoso e um humanista.
            Os sinônimos de religião são virtude e humanismo.
            Uma pessoa virtuosa é um humanista e é um religioso.
            Um humanista é um religioso e um virtuoso.
            Agora, religiosidade, virtude e humanismo não são o que apregoam os mercadores da fé de plantão, que exigem obediência, submissão e servidão aos seus interesses pessoais ou desejos de poder.
            Uma religião tem que trazer toda uma renovação da religiosidade, da fé e de expectativas para as pessoas, criando no íntimo delas e de “dentro para fora” de cada uma, uma base sólida de crença que a fortalece e a ajuda a suportar as dificuldades do dia-a-dia, assim como reúne com quem religiosamente é afim e que, reunidas sob uma nova doutrina, se fortalecem grupalmente e se auxiliam, superando muitos dos obstáculos, reais ou imaginários, que as enfraqueciam e as segregavam ou as isolavam.
Deus não fundou nenhuma religião na face da Terra, mas concedeu o livre arbítrio aos espíritos e aos homens para que estes, se insatisfeitos e descontentes com as que seguem, fundem novas religiões que os satisfaçam e torne suas religiosidades em contentamento e alegria, através da comunhão com Ele e Seus princípios divinos.
A base religiosa, os fundamentos e os princípios divinos naturais e espirituais estão à disposição de todos. E todas as religiões baseadas e fundamentadas Nele, com certeza prosperam e prosperarão na face da Terra e auxiliarão muitos no reencontro com Ele, o nosso Divino Criador e Senhor Deus.

“Para Deus não importa muito como O cultuam ou às Suas divindades, mas, sim, importa como fazem isso: com fé, muita fé mesmo”.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Sobre a Umbanda

A Umbanda é uma religião espiritualista que ensina que a vida é eterna e que a nossa curta passagem aqui no plano material destina-se à evolução, ao aperfeiçoamento e à conscientização dos espíritos.
A Umbanda é uma religião nova, co um século de existência. Uma data é o marco inicial da Umbanda: a manifestação do Senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas no médium Zélio Fernandino de Moraes ocorrida no ano de 1908.
Quanto ao que defendem que ela teve inicio em eras remotas ou entre povos, estes fazem apenas um exercício de comparatividade porque confundem a prática de incorporar espíritos, tão antiga quanto a própria humanidade, com a Umbanda.
Umbanda é sinônimo de prática religiosa e magística caritativa e não tem cobrança pecuniária como uma de suas práticas.
A Umbanda não recorre aos sacrifícios de animais para assentamento de orixás e não tem nessa prática, legítima e tradicional do Candomblé, um dos recursos ofertatórios às divindades, pois recorre às oferendas de flores, frutos, alimentos, velas, etc., quando os reverencia.
A Umbanda não aceita a tese defendida por alguns adeptos dos cultos de nação que diz que só com a catulagem de cabeça e só com o sacrifício de animais é possível as feituras de cabeça (coroação dos médiuns) e o assentamento dos orixás, pois para a Umbanda, a fé é o mecanismo íntimo que ativa Deus, Suas Divindades e os Guias Espirituais em benefício dos médiuns e dos frequentadores dos seus templos.
A fé é o principal fundamento religioso da Umbanda e suas práticas ofertatórias são uma reverencia aos orixás e aos guias espirituais.
A Umbanda não apressa o desenvolvimento doutrinário dos seus fiéis, pois temno tempo e na espiritualidade dois ótimos recursos para conquistar o coração e a mente dos seus fiéis.
A Umbanda, por ser sincrética, não alimenta em seu seio segregacionismo religioso de nenhuma espécie e vê as outras religiões como legítimas representantes de Deus. E vê todas como ótimas vias evolutivas criadas por Ele para acelerarem a evolução da humanidade.
A Umbanda não adota práticas agressivas de conversão religiosa, pois acha este procedimento uma violência consciencial contra as pessoas, preferindo somente auxiliar quem adentra em seus templos.
A Umbanda prega que os espíritos elevados (os seus espíritos guias) são dotados de faculdades e poderes superiores ao senso comum dos encarnados, e tem neles um dos seus recursos religiosos e magísticos. A Umbanda prega que as divindades de Deus (os orixás) são seres divinos dotados de faculdades e poderes superiores aos dos espíritos e tem neles um dos seus fundamentos religiosos, recomendando o culto a elas e prática de oferendas como uma das formas de reverenciá-los.
A Umbanda prega a existência de um Deus único e tem nessa sua crença o seu maior fundamento religioso, ao qual não dispensa em nenhum momento nos seus cultos religiosos e, mesmo que reverencie as divindades, os espíritos da natureza e os espíritos ascencionados, não os dissocia D’Ele, o nosso Pai Maior e o nosso Divino Criador.
Assim, meus irmão, sejam bem vindos ao maravilhoso mundo da Umbanda!

(adaptado de Saraceni, Rubens. Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada, São Paulo: Madras, 2005)